Síndrome de Gabriela, a epidemia silenciosa

“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela…”

A música de Dorival Caymmi é velha (1975), mas a postura entranhada em seus versos é atual, e embala uma geração inteira de inseguros, inimigos de qualquer mudança ou novidade. Uma vez me disseram que música nunca envelhece, e pelo visto, estavam certos.

Esses versos vestem boa parte de nós como um jeans de boa marca. Se encaixa perfeitamente para aqueles que fazem sempre o mesmo caminho para o trabalho, usam sempre a mesma maquiagem, nunca trocam de perfume, viajam apenas para os lugares que já conhecem, nunca arriscam um novo restaurante, comem sempre os mesmos pratos, assistem sempre os mesmos programas na TV, ouvem sempre as mesmas músicas, acessam sempre as mesmas coisas, leem sempre o mesmo tipo de livro, e até quando estão completamente infelizes no trabalho, não concebem a possibilidade de mudar de emprego, mudar de vida!

Lendo sobre isso, encontrei o nome: “Síndrome de Gabriela”. A síndrome de quem prefere ficar na sua zona de conforto, porque acha que as mudanças podem lhe trazer problemas, ou não confia na sua capacidade de lidar com o novo, o desconhecido, ou realmente acreditam que mudar não irá melhorar suas vidas. Vou mais longe: Sua autoestima poderia não suportar as mudanças e suas consequências…

Eu sou contratado, por vezes, para dar opiniões aos meus clientes, sobre seus negócios, e vez ou outra, as velhas frases inspiradas na “Modinha para Gabriela” machucam meus ouvidos:

– Rodrigo, vamos fazer assim, porque sempre fizemos assim, e deu certo!
– Rodrigo, sei que pode ser melhor, mas prefiro fazer do meu jeito!
– Rodrigo, nem vou tentar, porque sei que não vai funcionar!
– Rodrigo, eu sinto muito, mas sou assim…

Claro que ninguém tem que mudar baseando-se pela cabeça dos outros, mas convenhamos: Se nos esvaziarmos de nossa própria teimosia e orgulho, é possível perceber que estamos na contramão, ou não? Não seria o resultado (ou a falta dele) um sinal de alerta?

Por que não gostamos de mudar? Eu te respondo: Por medo, ou orgulho de reconhecer que possamos estar vivendo de forma errada, ou poderíamos estar melhor! Medo de reconhecer falhas, de vivenciar novas coisas, medo das mudanças, medo da decepção, medo do futuro, medo de parecer fraco, medo de ser submisso, ou se anular, medo da incerteza, medo de sentir inseguro, enfim, medo de sentir medo.

Pode ser que tenhamos sido limitados por nossos pais, familiares, igreja ou comunidade. Limitados por força dessa cultura do meio, e da educação social que recebemos. Nossos horizontes foram encurtados. Nos ensinaram a sermos conformados.

Pode ser também que até tenhamos grandes expectativas e sonhos, mas nossas tentativas frustradas criaram bloqueios! Quem gosta de fracassos? Quem gosta de falhar?

Também pode ser que não estejamos afim de querer pagar o alto preço para alcançar o sucesso: Suar a camisa! Queremos receber o troféu sem ganhar o campeonato, queremos ganhar o campeonato, sem jogar cada partida! É possível?

Vejo gente reclamando que não tem o salário que gostaria, mas pergunto: Por que deveriam receber aumento? Vejo gente reclamando que não são reconhecidas no trabalho, mas pergunto: O que fizeram de espetacular? Vejo gente dizendo que não tem liberdade para inovar, mas pergunto: Desde quando houve liberdade? Há pretensiosos que anseiam que o mundo lhes dê o banquete, mas como vão pagar a conta?

Mas existe um perigo maior: E quando o “teimoso” parece ter alcançado o sucesso? Neste caso, o sucesso homologa o comodismo? Penso que o comodismo tem tornado muitos homens de sucesso em fracassados, ao mesmo tempo que, o sucesso tem feito o fracasso de muitos homens de sucesso.

O sucesso não vem por acaso! E nem se mantém por méritos passados. O mundo não sorri, sem que você lhes conte a piada! Para piorar, saiba que uma mudança pode trazer resultados só depois de anos. Gosto da frase do comediante norte-americano Eddie Cantor: “Levei vinte anos para fazer sucesso da noite para o dia.”

A escolha que você faz hoje, irá determinar seu futuro. Não mudar também é uma escolha. Como já disse Pablo Neruda: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”

Você nasceu “assim”, mas não precisa continuar se não quiser! Tenha uma vida espiritual, conjugal, familiar, profissional e social diferente, melhor! Não se conforme, mas transforme!

A Bíblia é meu guia na busca por sabedoria, e um dos textos de Paulo me chama atenção pela sua atualidade nesse assunto: “e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” – Romanos 12:2

Deus quer ver você melhor do que ontem!

Até a próxima, e sucesso!

Fonte Cadadia.net

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