Por Orlando Rubem Ritter
É peculiar às criaturas humanas o fato de os filhos nascerem indefesos e com potenciais e capacidades a desenvolver, e isso mediante a educação e o ensino.
É digno de consideração que a maneira do desenvolvimento dos potenciais e capacidades dos filhos, ou seja, a qualidade do ensino influi decididamente no seu futuro e destino.
Por isso mesmo a pergunta “Quem Ensina Seu Filho?” é válida e reflete profunda preocupação dos pais e da igreja.
Nesse sentido há orientação clara tanto na Bíblia quanto no Espírito de Profecia. Sem dúvida, são bastante oportunas as palavras do profeta Isaías quando afirma o que lemos em:
Isa. 54:13 – “Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e será grande a paz de teus filhos”.

I – ENSINADOS DO SENHOR – São os instruídos e educados pelo Senhor e para o Senhor, mediante a orientação do Espírito Santo e através das instituições e agências educacionais determinadas pelo Senhor.
Segundo S. João 14:26, o Espírito de verdade ensinará todas as cousas. Ele ensina também através de um sistema educacional cristão.
Em Hebreus 8:10 e 11 lemos: “Porque esta é a aliança que formarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as escreverei; e Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo. E não ensinará jamais cada um seu próximo, nem cada um a seu irmão dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior.”
Ser ensinado do Senhor é conhecer ao Senhor e ter os seus preceitos gravados na mente, pois, de acordo com E.G. White,
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mais importante que criar beleza na tela e esculpi-la no mármore, é gravar sobre a alma humana a imagem divina!
Ser ensinado do Senhor em última instância resultará em possuir paz, paz completa, a mais doce paz, num tempo de perplexidades e num mundo cheio de aflições.

II – ENSINADOS DO SENHOR NO LAR.
No modelo educacional adventista, o lar – instituição divina e de importância básica na sociedade – é agente educacional por excelência, assumindo ao mesmo tempo o papel de escola e de igreja.
1) A Escola do Lar – As crianças devem ser educadas virtualmente do berço à maturidade na escola do lar. – Orientação da Criança, p. 26.
É no lar que a educação da criança deve iniciar-se… e logo que a criança seja capaz de formar uma idéia, deve começar sua educação. … no lar está sua primeira escola… aí são postos os fundamentos. – Orientação da Criança, pp., 17 e 26.
O fundamento é posto nos três primeiros anos. Dificilmente são esquecidas as primeiras impressões. – Orientação da Criança, p. 194.
Convém saber que é no âmbito do lar que muitas coisas importantes acontecem pela primeira vez na vida. E quão importante é a primeira vez em que uma coisa acontece!
É no lar que se esboçam os primeiros sorrisos. É no lar que são pronunciadas as primeiras palavras, que podem ser consideradas verdadeiras “palavras da vida”. É no lar que se inicia a linguagem, tão importante à vida racional. É no convívio do lar que se ensina aos filhos a falar e o farão bem ou mal, conforme o lar em que viverem. É no lar que se estabelece uma variada gama de virtudes básicas.
2) Os Professores da Escola do Lar, Agentes de Deus – O pai e a mãe de vem ser os primeiros mestres dos filhos. – Orientação da Criança, p. 21.
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A obra de todos os pais é educar os filhos no caminho do Senhor. – Orientação da Criança, p. 67.
Os pais são agentes de Deus no moldar o caráter. – Orientação da Criança, p. 219.
Constitui a educação da criança parte importante do plano de Deus para demonstrar o poder do cristianismo. – Orientação da Criança, p. 21.
Pelas razões expostas, para fazer dos filhos “ensinados do Senhor”, são requeridos dos pais, além de capacidade e preparo, exemplo digno e vida coerente, qualidades insubstituíveis na primeira fase da vida e mesmo ao longo dela.
3) Escola do Lar – As Primeiras Matérias – A Bíblia deve ser o primeiro compêndio da criança. Deste livro devem os pais ministrar sábia instrução. – Orientação da Criança, p. 41.
Se você pensa em fazer dos filhos “ensinados do Senhor”, deve ser dada proeminência à Bíblia, tornando-a, através dos muitos recursos disponíveis, acessível às crianças. Nesse aspecto a Escola Sabatina pode complementar muito bem o trabalho do lar.
Depois da Bíblia, deve a Natureza ser nosso grande compêndio. -(Testemunhos, vol. VI, p, 180). Para a criança ainda incapaz de aprender pela página impressa… a Natureza apresenta uma fonte infalível de instrução. – Orientação da Criança, p. 45.
4) A Escola do Lar – Outras Lições Básicas Importantes –A obediência, a chave da felicidade e do êxito, é a lição prática mais importante a ser aprendida pelas crianças e deve ser ensinada desde a infância. – Orientação da Criança, pp. 79-90.
Outras lições básicas a serem ensinadas na Escola do Lar são: as do domínio próprio, da quietude, da reverência (devem ser reprimidos barulho e turbulência indevida e deve reinar calma no lar – Orientação da Criança, p. 97), respeito pela propriedade (não devem ser permitidas tendências destruidoras…) vida saudável, asseio, limpeza, esmero, ordem, regularidade nas atividades, pureza (devem ser levantadas barreiras contra a sensualidade e deve haver o máximo cuidado com as companhias – Orientação da Criança, pp. l14, 115), prestatividade, operosidade, diligência,
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simplicidade, modéstia (recato ou reserva), alegria, gratidão, veracidade, honestidade, integridade e senso de honra! (Orientação da Criança, pp. 91 a 156).
Convém não esquecer que serão verazes, honestas e boas as crianças que nascerem e crescerem numa família veraz, honesta e boa.
5) A Escola do Lar e Altar da Família – Iniciado o desenvolvimento das qualidades básicas mencionadas, que são elementos fundamentais da formação do caráter, com bastante êxito pode ser promovido o “despertar das faculdades espirituais” que tão bem caracterizam os “ensinados do Senhor”.
A esta altura se completam a Escola do Lar e o Altar da Família, quando os pais ensinam não apenas como os primeiros mestres, mas como sacerdotes e estando, a princípio até no lugar de Deus, promovem o ensino, instrução e formação dos filhos, estabelecendo ao seu redor um “muro de proteção” e levando-os finalmente à dedicação a Deus.
Segundo a educadora E. G. White, o primeiro filho especialmente, e tendo em vista que influirá sobre os restantes, deverá ser educado com grande cuidado.
O ensinar aos filhos o temor do Senhor, assentado em casa, andando pelo caminho, deitando-se e levantando-se (Deuteronômio 6:7), pode fazer com que, sob vários aspectos, a Escola do Lar seja uma reminiscência da Escola Edênica, podendo e devendo suas influências estender-se longe no futuro até a celestial Escola do Além!

III – ENSINADOS DO SENHOR NA ESCOLA.
Na escola básica do lar, a influência dos pais sobre os filhos é marcante e pode ser quase absoluta.
Em primeiro lugar, porque os laços de sangue entre pais e filhos são os mais fortes laços humanos, e ainda mais fortes que os vínculos que unem marido e esposa (enquanto marido e esposa são “uma só carne” desde o casamento, os filhos têm desde o início, correndo em suas veias o sangue dos pais).
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Em segundo lugar, porque tudo o que é ensinado e exemplificado na escola do lar, o é pela primeira vez na vida! E isso é importantíssimo.
Tem sido verificado que em lares bem estabelecidos, onde não há convivência direta com outros parentes (tios ou avós), ou com estranhos; onde não há televisão e outras influências seculares ou profanas e nos quais estão sob supervisão e controle, os contatos externos com amiguinhos, o julgamento moral dos filhos, antes de terem saído para freqüentar a escola do 1º grau, chega a ser 100% dependente dos pais!
Isso significa que a influência dos pais sobre os filhos, como primeiros mestres e sacerdotes, num bom lar adventista, é praticamente absoluta.
Num mundo que não gosta de ouvir falar de monopólio, pode-se dizer que na primeira fase da vida, a mais importante, no que diz respeito às bases, os pais praticamente monopolizam a educação dos filhos, se assim o quiserem.
Normalmente, se for da vontade dos pais, há condições de sobra para que a Escola Básica do Lar alcance seus objetivos primordiais que são:
a)
Estabelecer as bases da linguagem falada.
b)
Introduzir ã compreensão da Bíblia e a influência educativa da Natureza.
c)
Ensinar e exemplificar uma ampla, harmoniosa e completa gama de virtudes práticas, desde obediência, respeito, reverência, diligência, até veracidade, integridade e senso de honra.
d)
Prover condições para o desenvolvimento social básico através da convivência diária com pais e irmãos, (tanto quanto possível de ambos os sexos) e eventual com outros parentes e amiguinhos.
e)
Promover o sadio despertar das faculdades espirituais.
1) A Escola, Complemento ou o Primeiro Concorrente da Escola Básica do Lar? Era plano de Deus que a escola do lar
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ensinasse os filhos desde o nascimento até a maturidade, como ocorria, por exemplo, na família patriarcal antiga.
Contudo, em razão das modificações ocorridas na sociedade humana, inclusive por causa das deficiências cada vez maiores dos lares, surgem as escolas na qualidade de instituições complementares. No antigo Israel eram as Escolas dos Profetas (II Reis 2: 1-1), hoje as escolas paroquiais ou Escolas do 1º Grau.
Devendo complementar o lar na formação básica dos filhos, iniciando-os na linguagem escrita, na fluência verbal, na habilidade numérica e no trato com as complexidades do mundo e da vida, a escola no entanto, pode tomar-se um sério concorrente do lar quando as orientações básicas de uma e de outra diferem.
Desde quando os filhos começam a freqüentar a escola de 1º grau, surgem os possíveis primeiros concorrentes à influência formadora dos pais e do lar cristão – professores, colegas e companheiros.
E como marcam a vida a primeira escola, o primeiro professor, o primeiro dia de aula, a primeira cartilha, os primeiros colegas de classe! Se não houver identidade de propósitos entre a escola e o lar, conseqüências desagradáveis poderão jazer à porta.
Estudos feitos permitiram concluir que nos primeiros anos da escola de 1º grau, o julgamento moral das crianças procedentes de bons lares dependia de 55% dos pais, 30% dos colegas e amigos e 14% dos professores e instrutores.
A queda brusca da influência dos pais de quase 100% para 55%, dá o que pensar! Quando se faz a pergunta “quem ensina seu filho?”, não basta cogitar dos seus professores, métodos e compêndios adotados. É preciso pensar inclusive nos seus novos companheiros e colegas.
É desejável, e muito, que os “ensinados do Senhor” na Escola do Lar continuem a sê-lo na Escola do 1º Grau, pois caso contrário, segundo o apóstolo Paulo, fica estabelecido um perigoso jugo desigual (II Cor. 6:14), quando os “ensinados do Senhor” passam a correr o risco de se tornarem “ensinados do mundo”, e
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consequentemente como demonstram as estatísticas, ficam propensos a se tornarem mundanos.
Quando se trata de empreendimento financeiro ou outro semelhante, os pais costumam ser cuidados no que diz respeito a associações com outras pessoas ou entidades. Porém, quando se trata da formação dos filhos e da complementação das atividades do lar, muitos pais adventistas revelam displicência em relação a escolas, professores, métodos, livros de texto e coleguinhas daqueles que, não apenas são seus filhos, mas que também são herança do Senhor! (Salmos 127:3).
Inexplicável displicência que poderá resultar na corrosão da própria influência e na perda do seu lindo rebanho. (Jeremias 13:20).
A redução drástica em quase 50%, na influência dos pais sobre os filhos quando estes entram na escola (a influência combinada dos professores e colegas passa a equilibrar a dos pais), faz da escolha da escola para os filhos um assunto revestido de solene importância!
Por isso, a partir de 1872, ano da implantação da Primeira Escola Paroquial Adventista em Battle Creek, é que, sob divina orientação e bênçãos, tem sido ampliado e aprimorado o sistema de escolas adventistas.
Transcrevemos do Espírito de Profecia:
“Na escolha de um professor para as crianças, deve-se revelar grande cuidado”! – Conselhos a Professores e Estudantes, p. 134.
“O trabalho de professor deve suplementar o dos pais”. – Orientação da Criança, p. 319.
“Os professores no lar e os professores na escola devem trabalhar juntos com harmonia, embebidos do mesmo espírito missionário, juntos esforçando-se para beneficiar as crianças, física, mental e espiritualmente”. – Orientação da Criança, p. 318.
A Escola do Lar e a Escola de 1º Grau não podem estar divorciadas nem na teoria (filosofia educacional), nem na prática. No contexto adventista, ambas devem preocupar-se em fazer das
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almas que lhes são confiadas “ensinados ou discípulos do Senhor”, e isso para que tenham paz!
Os mestres de ambas – os pais no lar e os professores na escola – devem, para isso, imitar a Jesus Cristo, o Grande Mestre e modelo dos professores cristãos.
É profundamente significativo para os filhos, não apenas a idade em que ingressam na escola, como também a instituição a ser freqüentada, sua filosofia educacional, seus ideais, seus currículos, seus professores, seus livros de texto e seus colegas de classe e amigos.
Quando é feita a pergunta: “quem ensina seu filho?”, convém não esquecer que educação adventista é a educação de adventistas, por adventistas, segundo os princípios adventistas. Uma escola assim, pode e deve cada vez mais tornar-se uma ante-sala da sociedade celeste.
2) O Internato – Internatos adventistas, quando devidamente operados, constituem-se em verdadeiras obras primas da educação. Tomam-se autênticas estações a meio caminho, estabelecidas de acordo com os modelos “cidade de refúgio” ou “escola dos profetas”.
São “estações a meio caminho” entre o lar e o mundo, entre a pátria terrena e o lar celestial, entre a meninice e a maturidade cristã, e por deverem ter algo de celeste, entre a escola de aquém e a Escola de Além.
São instituições onde em poucos mas proveitosos anos, se consolidam as bases implantadas no lar e complementadas na escola de 1º grau.
São autênticos “mundos à parte” (não partes do mundo), onde há abundância de luz solar, ar puro, água limpa, gramados, jardins e arvoredos. São caracterizados por ordem, quietude, respeito, elevados princípios morais, vida social sadia, música elevada, ambiente favorável ao trabalho útil, ao estudo, ao desenvolvimento das virtudes e à vida espiritual saudável.
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São (deveriam ser), verdadeiros santuários de boas idéias, boas maneiras e boas ações, onde os cultos matutinos e vespertinos são pontos altos dos dias que passam e os sábados são marcos semanais ao longo do ano letivo.
O internato adventista funcionando no seu optimum constitui-se no ambiente mais adequado para confirmar como tais, os “ensinados do Senhor”, provenientes dos lares e das escolas paroquiais adventistas. Nenhum jovem adventista deveria conscientemente furtar-se a tais influências, pois os dias ali vividos constituem-se numa das quadras mais frutíferas da vida e em sua memória, a fidelidade ao Senhor e aos Seus princípios costuma ser um resultado normal.

IV – ENSINADOS PELO SENHOR NA ESCOLA DO ALÉM.
“O céu é uma escola; o campo de seus estudos, o Universo; seu professor, o Ser Infinito. Uma ramificação desta escola foi estabelecida no Éden; e, cumprido o plano da redenção, reassumir-se-á a educação na escola edênica”. – Educação, p. 301.
“Ali se viverá vida edênica – vida do jardim e do campo.” – Educação, p. 303.
Na Escola do Além, “o amor e a simpatia que Deus plantou na alma encontrarão o mais verdadeiro e suave exercício” (Educação, p. 306) no puro companheirismo com anjos e com seres santos.
Ali “todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos filhos de Deus.” (Educação, p. 307)
“Ali haverá música e cânticos que ouvidos mortais jamais ouviram.” (Educação, p. 306)
Na Escola do Além, com base na Palavra de Deus, se obterá uma visão do vasto campo da história e se obterá “conhecimento dos princípios que” presidiram “à marcha dos acontecimentos humanos.” (Educação, p. 304)
Ali se revelará “o decurso do grande conflito que teve origem antes que começasse o tempo e que terminará quando este cessar.” (Ed, p. 304)
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Ali, à luz da eternidade, se compreenderá a Providência divina – serão explicadas “todas as perplexidades da vida” e “ver-se-á o resultado de todo o princípio correto” (Educação, p. 305).
Na Escola do Além “toda faculdade se desenvolverá e toda capacidade aumentará” (Educação, p. 307).
Ali “os maiores empreendimentos serão levados avante, as mais altas aspirações realizadas, as maiores ambições satisfeitas. E, todavia, surgirão novas culminâncias a galgar, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender” – Educação, p. 307.
Os “ensinados do Senhor” nos lares e escolas cristãs de aquém, terão garantido seu ingresso na Escola do Além.
Ali, restabelecido de novo à presença de Deus como no principio, os “ensinados do Senhor”, aqueles que O conheceram, que foram ensinados por Seu Espírito, por suas instituições e agências, serão “ensinados pelo Senhor” vendo-O face a face. – Educação, p. 302.
Quem ensinará seu filho? É ele, juntamente com seus pais, ensinado do Senhor? Se for, num dia não muito distante, quando cessar o tempo e for encerrada a presente ordem, ouvirá, juntamente com estes, do grande Mestre em pessoa o tão desejável “bem está”, secundado pelo valioso convite: Entra na Escola do Além!
“Vê pois que tudo faças conforme o modelo
que no monte se te mostrou”. Êxodo 25:40

Fonte DSA

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