Texto Base: Lucas 22:7-16

Introdução A vida é movida pela paixão. Tudo o que é realizado inicia por um coração e mente apaixonados. Uma vida sem paixão é uma vida sem realizações. A paixão determina o seu foco, define suas prioridades e canaliza a direção da sua energia. Se tivéssemos que definir paixão com apenas uma palavra, essa indubitavelmente seria a palavra amor. Honoré de Balzac afirmou que “o amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro”. Quando há paixão, não há desmotivação em função dos obstáculos que surgem diante do que tem que ser feito. Por isso Wiliam Shakespeare afirma que “ a paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe”. Nesta semana veremos uma paixão que dividiu a história, mudou o mundo e transformou vidas. A paixão de um Deus que se tornou homem. Como igreja estamos celebrando 45 anos do projeto dessa paixão que tem sido desenvolvido anualmente durante a semana santa. Essa arrebatadora paixão de Cristo o levou ao nascimento, a vida, ao choro, ao sofrimento, a entrega, a morte, a ressurreição e a promessa do Seu retorno por Você. Isso muda tudo. O Deus Filho torna-se homem sem deixar de ser Deus, simplesmente para salvar você! A Narrativa em Lucas 22:7-16 nos convida a constatar essa paixão que nos conquistará nesta semana. Leiamos e oremos juntos.

I. A Paixão de Cristo no tempo Certo

a) A narrativa em Lucas que acabamos de ler inicia com a declaração “Chegou o dia”. (Lc 22:7). Se há alguém que tinha plena certeza do que deveria fazer, esse alguém era Cristo. Nos evangelhos há várias declarações de Jesus como “ainda não é chegada a minha hora” (João 2:4), “O meu tempo está próximo” (Mat 26:18), “ É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem (João 7:30). Isso nos revela a intenção de Cristo e o seu foco para realizar o que era necessário no tempo devido. A sua paixão era canalizada para realização em um tempo certo e devido. O tempo não era guiado por sua paixão, mas sua paixão era guiada pelo tempo devido para o sacrifício que deveria redimir o homem. E essa ideia é reforçada no verso 14 do capítulo 22 de Lucas com a expressão “Chegada a hora”. b) Ellen G. White afirma: “Cristo não entregou Sua vida antes que realizasse a obra que viera fazer, e ao exalar o espírito, exclamou: “Está consumado. Ganhara a batalha. Sua destra e Seu santo braço lhe alcançaram a vitória. Como Vencedor, firmou Sua bandeira nas alturas eternas. Que alegria entre os anjos! Todo o Céu triunfou na vitória do Salvador. (DTN, pág 758). A vitória de Cristo deveria ser executada no tempo certo da entrega da sua vida. c) A questão do tempo da efetuação da paixão de Cristo não é ressaltado apenas pelo evangelho de Lucas e os demais evangelhos. O apóstolo Paulo afirma que “ vindo a plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4). Com essa afirmação Paulo assegura que havia um tempo certo, predito inclusive pelos profetas. A palavra “plenitude” ressalta pelo seu significado que esse tempo era mais do que certo, ele era exato. E ao estudarmos as profecias de Daniel confirmamos tal afirmação (Ver Dan 9:24,25). O tempo desse evento foi prefixado e predeterminado nos concílios do céu, conforme Atos 17:26. d) Isso demonstra que a paixão de Cristo não foi desenfreada e alheia aos seus instintos, mas de acordo com a vontade e ao tempo do Pai. Que diferença da paixão humana que muitas vezes de forma impulsiva age a qualquer hora e de qualquer maneira. Desde o nascimento até a morte, o tempo escolhido foi o mais favorável em toda a história. O mundo estava em paz, sob um só governo. As viagens sob terra e mar eram relativamente seguras e rápidas. O grego era a língua universal, e as escrituras estavam disponíveis nessa língua há 200 anos pela famosa versão da septuaginta (LXX). e) Diante disso a paixão de Cristo era norteada pala palavra e vontade de Deus expressada pelos seus profetas. Não se tratava de um capricho de Cristo, suas afirmações nos evangelhos relativas a chegada do dia e da hora, mas de uma irrestrita e incondicional obediência a palavra e vontade de Deus.

II- A Paixão de cristo para corações expectantes

a) Jesus havia investido diretamente em homens comuns iletrados, mas que eram passionais e buscavam algo mais. Seus corações estavam expectantes por uma revolução, por algo diferente. Logo após a indicação de que o dia havia chegado (Lc 22:7); Jesus envia prontamente Pedro e João, os mais próximos a Ele, para a preparação da páscoa, algo que ainda não compreendiam plenamente. Somente o evangelho de Lucas identifica os dois discípulos para realizar essa tarefa. (Lc 22:8). Os seus corações expectantes são evidenciados em uma pergunta: “Onde queres que a preparemos? (Lc 22: 9). b) Essa espera por algo não englobava apenas os corações dos seus discípulos. Nesse tempo muitos estavam insatisfeitos com suas crenças religiosas e estavam ansiosos pela verdade sobre a vida e o destino do homem. Por isso Deus não poderia ter escolhido lugar mais propício para lançar a mensagem do evangelho do que a Palestina nesse período, em que os corações buscavam algo mais. Você já pensou quantas pessoas terão os seus corações expectantes e satisfeitos, ao descobrirem nesta semana esperança a partir da paixão de Cristo? c) Ellen White apresenta o anseio dos que viviam na época de Cristo quando afirma: “ Por essa época, os sistemas pagãos iam perdendo o domínio sobre o povo. Os homens estavam cansados de aparências e fábulas. Ansiavam uma religião capaz de satisfazer a alma. Conquanto a luz da verdade parecesse afastada dos homens, havia almas ansiosas de luz, cheias de perplexidades e dor. Tinham sede do conhecimento do Deus vivo, da certeza de uma vida para além da campa. A medida que Israel se havia separado de Deus, sua fé se enfraquecera, e a esperança deixara, por assim dizer, de iluminar o futuro”. (DTN pág 32). d) Esse não seria o retrato fiel da realidade em que vivemos? Como estão as pessoas hoje? E o que tem oferecido as diversas religiões e incontáveis filosofias que não alimentam nem satisfazem? O Evangelho de Lucas é singular na sua abrangência. Tem como destinatários não apenas os Judeus como o evangelho de Mateus, ou aos Romanos como o de Marcos, mas sua característica é universal, a começar pela sua genealogia que vai de Jesus a Adão (Luc 3:23-38). Esse evangelho demonstra que seus escritos visam alcançar nossa época, realidade e anseios. e) Diante da expectação dos corações dos discípulos, Jesus dá um sinal: “Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: o Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?” (Luc 22:10 e 11). Cristo destaca esse momento sinalizando com uma situação incomum. Geralmente esse serviço de carregar um cântaro era executado por uma mulher. Com esse sinal Cristo destaca e ressalta a importância do momento que viria, a razão da sua paixão.

III- A Paixão de Cristo na intensidade máxima

a) Talvez pudéssemos indagar: “ Até que ponto Cristo estaria disposto a cumprir Sua missão? E até que ponto se veria a intensidade de sua paixão por nós? ‘’. Essa pergunta encontra a sua resposta em uma expressão no evangelho de Lucas que não deixa dúvidas o quanto Cristo queria, ansiava e desejava. Cristo ao chegar no momento em que oficializaria o anúncio da sua paixão por intermédio da páscoa, afirmou: “ Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento”. (Luc 22:15). b) Essas palavras declaram a intensidade da paixão de Cristo em realizar o único feito que nos salvaria. O texto original traz uma construção tipicamente hebraica: “Com desejo, tenho desejado”. As palavras que aparecem no grego para a tradução “desejado ansiosamente” são epitumia epitumassa. Essa expressão nos revela que Jesus veio a esse mundo trazendo em mente esse momento. Batizou-se para nos dá o exemplo, mas isso não é tudo. O batismo era um anúncio profético. Toda ação de Cristo buscava esse apogeu. A sua paixão estava focada no clímax do seu ministério, que nesse momento se aproximava, eis o motivo dessa expressão que era uma redundância e que revela a intensidade da paixão de Cristo por você. c) O sentimento dos discípulos, sua epitumia, ou seja seu desejo, era pelo trono, pela primazia, pelo poder, mas a de Cristo era intensa e cheia de paixão pela cruz, porque somente pela cruz a penalidade seria paga e a salvação viria. Por isso, enquanto os discípulos olhavam para o trono, Cristo ansiava pela cruz; porque pela morte da cruz ele reencontraria com você. Aqui o evangelho de Lucas descreve a última ocasião em que Jesus esteve com seus amados discípulos antes da agonia da traição, do julgamento e da crucifixão.

CONCLUSÃO

Será que a compreensão dessa visão acerca da sua paixão muda tudo? Estabelece nova ordem em nossa prioridade? Todos temos paixão por algo e por alguém. O que somos e fazemos é reflexo do foco e intensidade dessa paixão. Nossa vida, quando impulsionada pela paixão nos levará a morte, se preciso for, para alcançarmos o que desejamos e salvarmos a quem amamos. Se eu te perguntasse qual é a sua paixão? Certamente uma resposta você não me daria. A resposta de que você não tem paixão. Talvez você não descobriu ainda qual é sua paixão. Há um infalível teste que pode descobri onde ela está direcionada. Cristo afirma no sermão do monte: “Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” . ( Mat 6:21). Veja onde ou em quem suas energias são canalizadas, o seu tempo é gasto, e seus recursos empregados e você descobrirá onde está sua paixão. Quero te convidar para que a sua paixão seja direcionada à esta semana. Somos convidados por Cristo para direcionarmos a nossa paixão como resposta a dele. Ao dedicar nesta semana o seu tempo, recursos e presença, sua paixão estará de acordo com a de Cristo: Salvar pessoas. E se hoje perguntássemos para Cristo: Qual é a sua paixão? Baseado no que vimos em sua palavra, certamente Ele, sem hesitar responderia: “ Minha Paixão é você”!!! Só se responde a paixão recebida com paixão. É o que Cristo quer de nós nesta semana especial através do nosso envolvimento nos pequenos grupos, em um ponto de pregação, orando e convidando amigos. Quem gostaria de responder a essa paixão com a sua vida e ação nesta semana, trazendo os seus amigos para esse apaixonado Jesus? Venha a frente, eu quero orar com você.

Pr. José Orlando Silva

Ministério Pessoal e Evangelista da Missão Nordeste.

Fonte DSA

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